#24 🤞🏼 a escrita do ordinário
sobre escrever as coisas que te acontecem
algumas semanas de repouso pós cirurgia renderam descobertas no streaming. uma que marcou aqui foi “Disclaimer”, thriller psicológico produzido pela Apple TV, adaptado do livro de mesmo nome da autora Renée Knight. aqui, temos uma jornalista renomada (Cate Blanchett) que tem um segredo do passado exposto em um livro que ela recebe de forma anônima (uuuh! 👀).
Sinopse: Catherine é casada, tem um filho, ama o emprego e gosta de ler nas horas vagas. Agora que o filho cresceu e seguiu o próprio rumo, ela e o marido decidiram se mudar para uma casa menor. Em meio ao caos da mudança, ela encontra O completo estranho , um livro que não se lembra de ter comprado.
Intrigada, ela inicia a leitura, mas logo percebe algo estranho. A narrativa descreve o dia em que Catherine se tornou refém de um segredo terrível. Até então, ela achava que ninguém mais sabia o que havia acontecido naquele verão, vinte anos antes. Pelo menos ninguém ainda vivo. Agora o mundo perfeito de Catherine está desmoronando, e sua única esperança é encarar o que aconteceu naquele dia fatídico. Mesmo que a verdade possa destruí-la.
essa série adaptada pode ser um tipo de laboratório para quem escreve, por conta do desenvolvimento da narrativa (não tenho como explicar sem dar spoiler, mas, por favor, assista!). fico pensando… como pode a escrita ser capaz de contar histórias que formam opiniões, mocinhos e vilões - isso não é f0d@? sobretudo: como é importante encarar o trauma, elaborar, escrever, dar voz ao que passamos, seja escrevendo um livro, ou mesmo em terapia.
quando fui alfabetizada, mal imaginava as portas que aquele aprendizado sobre as letras, consoantes, vogais, sílabas e fonemas me abriram. sem pretensão qualquer, os diários foram grandes aliados ao longo da vida, especialmente para uma garota que foi adolescente nos anos 2000, quando não se ouvia falar sobre saúde mental. sei que muitas pessoas da minha geração cresceram sem ser ouvidas. mas, olha só… o papel em branco acolhe tudo:
✍🏻 o primeiro fora
✍🏻 a recuperação de química (e de física, e de matemática, talvez de biologia também!)
✍🏻 não se sentir parte daquela nova cidade
eu não escrevia para mostrar a alguém, era a necessidade da voz. anos depois, trabalhando com a escrita de forma profissional, é comum ouvir:
“mas eu não tenho nada de interessante pra contar”
penso que essa frase é um portal. sou captada imediatamente depois do ponto final imaginário que enxergo no ar. as perguntas logo são disparadas pela boca.
🤔 qual é o território que você nasceu?
🤔 que memória você tem da infância?
🤔 qual é a lembrança que você tem de ter feito algo pela primeira vez? como foi?
a lista é longa! às vezes você pensa que é preciso ter ganho um Oscar para escrever algo interessante sobre sua vida. mas e o ordinário?
a mudança de temperatura ao longo do dia, o gato brincando com um fio solto, o rosto que seus pais fazem quando estão distraídos, as palavras que as pessoas não usam para demonstrar afeto, aquela luz que se transforma no chão enquanto você caminha no parque, uma criança andando até sua mãe, alguém que está com raiva, alguém que está sentindo paixão - histórias acontecem todo o tempo.
e é por isso que todos temos coisas interessantes a contar. é por isso que talvez está na hora de começar a escrever. registrar suas memórias.
se precisar de ajuda, me chama 🫶🏼
💡Que tal?
E se você começar um caderno de gestos como um disparador para a sua escrita?
📝 Ponto final
Jarid Arraes e a questão: pq escrever sobre coisas tristes?
Marina Cyrino Leonel testando poesia - linda!
“Sou escritora” - como amo ouvir essa frase de amigas que apostam nas palavras, né? Larissa Acosta
Me diverti com este texto de aniversário de 45 anos da Andrea Nunes
Fluxos de pensamentos da Gabi Miranda
Essa lista de 7 coisas a excluir, digna de revista Capricho rs
Quer uma mãozinha para desbloquear a criatividade? A Gabi Fagundes ajuda
🎙️👩🏼🎤 Sensação da edição
E tudo ficou tão claro
O que era raro ficou comum
Como um dia depois do outro
Como um dia, um dia comum
Até breve,
G!



Eu tenho a impressão que só escrevo o ordinário. Hahahaha! Adoro!
Perfeito, Gabi, falou tudo! Quanta grandeza pode ter no ordinário. E fiquei super curiosa para assistir essa série, vou colocar na lista com certeza